Ação - não ação urbana

2015

Priscila Costa Oliveira. Ação-não ação urbana, 15 de outubro de 2015 na Cidade de Pelotas/RS.

Exposição CRIAR NA CIDADE da Agência CKCO. Curadoria Patrick Tedesco e Tainá Daddah

Texto: Bruna Oliveira
 
[ação e não-ação
o gesto "não cênico", caminhar, parar (sempre por algum motivo, não se entregar a gratuidades), olhar as horas, observar quem passa, mexer na bolsa, no bolso, desenhar o espaço, sustentar uma postura, relaxar certas preocupações na aparência, controlar os cacoetes muito pessoais, obviedades regidas sob certa previsibilidade: somos feitos mais ou menos da mesma matéria e imaginário. 
dançar/atuar na rua comunica ao mesmo tempo em que delimita (cenicamente) o espaço. sabe-se que um plano comum a poucos transcorre e que possivelmente em algum momento termine, pra que enfim voltemos a falar a mesma língua (em um ensaio de rua, há umas semanas, "não são artistas, são auuutistas!", mas ninguém pergunta se eu to bem, não mexem no meu limite).
já a não-ação, sempre presente (e constitutiva) nas ações, transcorre invisível. domina nosso repertório, repleta de sentidos, e é tão necessária quanto qualquer tomada de atitude. "coisa de vagabundo", a não-ação, tornada visível na escolha da posição, comunica-se: é permissiva e mesmo convidativa. na oferta de uma configuração diversa (e nesse sentido, não agir implica uma positividade), deixa que o círculo que delimita o discurso seja trazido e dosado de fora pra dentro, afirmando por si só o mínimo (mas ainda afirmando algo). o massa é esse combo de reações e as que chegam fortemente até nós são principalmente as ameaças, mas há quem só pare, há quem nunca viu, e sempre há louco pra achar bonito, vá duvidar...a minha paisagem tava demais, toda fiação em evidência e nuvens rápidas.
"-Qual é o protesto agora?
-Nenhum.
-Ah, ta."
"Vontade de fazer cócega no sovaco dela."
"...Jogar um balde de água em cima."
"É protesto contra a Dilma"
"Deita com eles, filho."
"Pisa, pisa na cabeça dela!"
"Que nojo!"
"Essa não fui eu que matei!"
"Vai dizer que isso é arte?"
e o clássico "Vão trabalhar."

Hoje não tem arte não pessoal, tem só vocês nos entretendo.
oficina ocupar a cidade: ação urbana, com a conversatriz Priscila Costa Oliveira.]